onde dormiremos
se nossa cama está em chamas
e nossos lençóis são brasa acesa?
onde passaremos os próximos tempos,
se nossa casa foi destruída
e nossos vizinhos deixaram a vila?
onde estaremos quando o sol nascer de novo,
se o que vejo são folhas secas
espalhadas pelo chão rude
de uma floresta perdida?
aonde irão nossos filhos,
se a casa é o fogo,
o fogo se alastra
em labaredas que tocam o céu?
Sábado, 9 de Maio de 2009
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
ampulheta
quando deixarmos este lugar
ninguém se lembrará de nós dois
e daquilo que ora fizemos.
ninguém cantará nossa canção
e nem acenderá nossas luzes apagadas.
o que foi feito, então, será nada.
por isto, amanhã,
antes de acordar,
de olhos ainda fechados
pense no que o dia trará;
pense nas asas do anjo que irá nos levar,
e imagine quantas palavras nunca ditas
serão atribuídas a nossa autoria,
e que nossos rastros serão dizimados pelo tempo.
a cidade deixará tuas imagens para trás,
como mãe que rejeita seus filhos.
as ruas não se lembrarão de seus passos,
e nosso vôo não terá a lembrança
curta dos aeroportos.
quando deixarmos este lugar,
o vento levará as cinzas
de nossos dias para o mar.
ninguém se lembrará de nós dois
e daquilo que ora fizemos.
ninguém cantará nossa canção
e nem acenderá nossas luzes apagadas.
o que foi feito, então, será nada.
por isto, amanhã,
antes de acordar,
de olhos ainda fechados
pense no que o dia trará;
pense nas asas do anjo que irá nos levar,
e imagine quantas palavras nunca ditas
serão atribuídas a nossa autoria,
e que nossos rastros serão dizimados pelo tempo.
a cidade deixará tuas imagens para trás,
como mãe que rejeita seus filhos.
as ruas não se lembrarão de seus passos,
e nosso vôo não terá a lembrança
curta dos aeroportos.
quando deixarmos este lugar,
o vento levará as cinzas
de nossos dias para o mar.
Domingo, 5 de Abril de 2009
de braços abertos
te espero no centro do mesmo jardim
onde mordeu minha bochecha
e me jurou vingança.
você vociferou, chorou raiva,
e amargou a derrota
do final do passeio.
(te puxaram pelo braço,
te levaram para casa.)
eu triunfei com a crueldade {de toda criança}
e a latejante marca no rosto.
sentado no banco de concreto
me esperava um pai que perdi
num destes passeios ao jardim.
(disse que voltava e nunca voltou.)
estou no jardim e te espero.
você nunca terminou a mordida,
a briga do primeiro ódio,
do primeiro amor.
te espero no centro do mesmo jardim
onde mordeu minha bochecha
e me jurou vingança.
você vociferou, chorou raiva,
e amargou a derrota
do final do passeio.
(te puxaram pelo braço,
te levaram para casa.)
eu triunfei com a crueldade {de toda criança}
e a latejante marca no rosto.
sentado no banco de concreto
me esperava um pai que perdi
num destes passeios ao jardim.
(disse que voltava e nunca voltou.)
estou no jardim e te espero.
você nunca terminou a mordida,
a briga do primeiro ódio,
do primeiro amor.
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009
hoje eu completo 33 carnavais. literalmente, porque nasci numa segunda de carnaval, ano bissexto. dizem que é a idade da completude. um amigo disse que a gente "zera a kilometragem aos 33". outro disse que é a idade da sabedoria. eu penso em Jesus, que tinha a vida toda pela frente, mas que encarou peixe grande da época, e foi crucificado como marginal, pilantra, ao lado de dois ladrões. eu penso nisto não porque 33, mas porque se a sabedoria é esta afronta ao poder, e é este amor generoso, deus-me-guarde, ou deus-me-crie.
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
eu acreditava
Eu acreditava naquele Noé que desce da arca, com a narração de Chico Buarque e texto do Vinícius:
“(...) E abre-se a porta da arca/ Lentamente surgem francas/ a alegria e as barbas brancas/ do prudente patriarca (...)”
“(...) E abre-se a porta da arca/ Lentamente surgem francas/ a alegria e as barbas brancas/ do prudente patriarca (...)”
Sábado, 14 de Fevereiro de 2009
Every Time I See You Falling -New Order
Eu acordei precisando ouvir esta música do New Order. Entrei no youtube e encontrei uma doce interpretação (de cantora que desconheço): http://www.youtube.com/watch?v=L32858c6Jcw.
Esta música se parece com as caixas que abri semana passada. Empoeiradas pelo tempo, abri duas velhas caixas, uma que data de cerca de 18 anos e outra 13 ano atrás. Nelas eu guardo guardanapos de restaurantes, flyers de shows, vouchers de teatro, ingressos de cinema, diários e agendas vencidos, desenhos de colegas do colegial, fotos de amigos da universidade, cartinhas de amor que nunca foram enviadas (porque os amores eram tão incertos quanto a eficiência das palavras ali escritas).
Nestas caixas ficam guardadas boas e péssimas recordações. Tem sempre um ingresso de cinema que te lembra as lágrimas do final do filme, ou uma fitinha vermelha que te recorda a noite em que você vestiu a melhor blusa que tinha para ir ao bar e ela te traiu no começo da noite, descosturou no cólo, e você passou horas a fio curvada, quase imóvel, para que ninguém visse o que você escondia entre a costura e a pele.
A música que eu trazia no fundo da caixa, presa, saiu com a letra toda. Segue ela para quem quiser recordar de coisas que ficam guardadas em caixas por anos e que, quando veem a luz do dia, podem tornar-se pó, como vampiros das histórias em quadrinhos.
Every time I think of you
I get a shot right trough
Into a bolt of blue
It’s no problem of mine
But it’s a problem I find
Living a life
That I can’t leave behind
There’s no sense in telling me
The wisdom of a fool won’t set you free
But that’s the way that it goes
And there’s nobody knows
Well every day my confusion grows
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I am waiting for the final moment
You’ll say the words that I can’t say
I fell fine, and I fell good
I fell like I never should
Whenever I get this way,
I just don’t know what to say
Why can’t we be ourselves
like we were yesterday
I’m not sure what this could mean
I don’t think you’re what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then we’d never see just what we’re meant to be
Esta música se parece com as caixas que abri semana passada. Empoeiradas pelo tempo, abri duas velhas caixas, uma que data de cerca de 18 anos e outra 13 ano atrás. Nelas eu guardo guardanapos de restaurantes, flyers de shows, vouchers de teatro, ingressos de cinema, diários e agendas vencidos, desenhos de colegas do colegial, fotos de amigos da universidade, cartinhas de amor que nunca foram enviadas (porque os amores eram tão incertos quanto a eficiência das palavras ali escritas).
Eu pensava/cantarolava: Every time I see you falling/I get down on my knees and pray...
Nestas caixas ficam guardadas boas e péssimas recordações. Tem sempre um ingresso de cinema que te lembra as lágrimas do final do filme, ou uma fitinha vermelha que te recorda a noite em que você vestiu a melhor blusa que tinha para ir ao bar e ela te traiu no começo da noite, descosturou no cólo, e você passou horas a fio curvada, quase imóvel, para que ninguém visse o que você escondia entre a costura e a pele.
A música que eu trazia no fundo da caixa, presa, saiu com a letra toda. Segue ela para quem quiser recordar de coisas que ficam guardadas em caixas por anos e que, quando veem a luz do dia, podem tornar-se pó, como vampiros das histórias em quadrinhos.
Every time I think of you
I get a shot right trough
Into a bolt of blue
It’s no problem of mine
But it’s a problem I find
Living a life
That I can’t leave behind
There’s no sense in telling me
The wisdom of a fool won’t set you free
But that’s the way that it goes
And there’s nobody knows
Well every day my confusion grows
Every time I see you falling
I get down on my knees and pray
I am waiting for the final moment
You’ll say the words that I can’t say
I fell fine, and I fell good
I fell like I never should
Whenever I get this way,
I just don’t know what to say
Why can’t we be ourselves
like we were yesterday
I’m not sure what this could mean
I don’t think you’re what you seem
I do admit to myself
That if I hurt someone else
Then we’d never see just what we’re meant to be
cry me a river
(I can't sing this song today
'cause I' m a lonely river)
I' m running so fast to the ocean
and I will mix my sweet with it salt
in my wet soul.
I've been made of water
tears and love,
rain and passion,
since I knew you.
I'm going to the ocean,
like a river that met
the life that it left behind,
in time.
I've begun a river
when I proved Baal' kisses.
But now I am a river
where Baal throwe
and keept his smiles
I was a woman,
but today I am a river,
cry me a river.
I am waiting for his shadows,
and waiting for his shine,
and afraid of his weather
and afraid of his sister.
I am the water where Baal had gone
to take a shower,
when he woke up
of the nightmare song.
I am a river where he borns and dies,
every night.
'cause I' m a lonely river)
I' m running so fast to the ocean
and I will mix my sweet with it salt
in my wet soul.
I've been made of water
tears and love,
rain and passion,
since I knew you.
I'm going to the ocean,
like a river that met
the life that it left behind,
in time.
I've begun a river
when I proved Baal' kisses.
But now I am a river
where Baal throwe
and keept his smiles
I was a woman,
but today I am a river,
cry me a river.
I am waiting for his shadows,
and waiting for his shine,
and afraid of his weather
and afraid of his sister.
I am the water where Baal had gone
to take a shower,
when he woke up
of the nightmare song.
I am a river where he borns and dies,
every night.
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